quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Na praia, na chuva, no chão.



Eu gosto muito de viajar, sabe? É uma das poucas coisas que eu gasto meu dinheiro sem medo de ser feliz. Cansada já de passar o final do ano sem fazer absolutamente nada em Campo Grande, resolvi que ia dar um jeito de ir pra praia, ver os fogos ali pertinho do mar e tomar uma champagne em taças de vidro chiquérrimas. Convoquei minha mãe e meu namorado e os obriguei a irem comigo. O destino: Ubatuba. Reservei com bastante antecedência um hotel num lugar super bem localizado, mandei o dinheiro, comprei biquíni, juntei meu 13° salário pra torrar tudo na praia, comprei todos os acessórios necessários, óculos, filtro, canga, toalha, etc etc etc. Viagem marcada para o dia 26 de dezembro, tudo perfeitamente combinado e decidido, sem direito a opiniões do namorado e da mãe.

Eis que dia 24 de dezembro, a senhora proprietária do Hotel liga desmarcando nossa reserva. Deu uma desculpa qualquer de que não havíamos acertado na data certa e depois de muitas grosserias, chamando-nos de loucas e “gentinha do mato grosso” devolveu nosso dinheiro. Frustração total. Teria que me contentar agora com mais um réveillon na cidade, vendo os fogos dos outros da sacada do apartamento e assistindo show da virada depois da meia noite na globo.

Então que o destino nos surpreende mais uma vez. Uma amiga da minha mãe nos convida justamente pra ficar no apartamento do irmão dela, em Ubatuba, sem precisar pagar nada por isso. Gente, mas é claro que topamos na hora. Eu esqueci o detalhe mais crucial de todos: viajar com a minha família nunca, mas olha, NUNCA é uma viagem normal, e é claro que quando chegamos lá, descobriríamos o por quê.

Condomínio legal, localização boa, apartamento espaçoso, seria tudo perfeito se não fosse por três detalhes deveras importantes: não tinha luz, não tinha um móvel sequer e estávamos em oito pessoas. Tchanam!

Dormi na sala, minha mãe na cozinha e o resto do povo espalhados nos outros cantos do apê. Como não tinha luz a água do chuveiro estava na mesma temperatura que o mar na praia da Rússia (se isso realmente existir) e quando chegava o final da tarde, era impossível enxergar a 1m de distância. A vantagem, é que como não havia móveis, também não havia a possibilidade de dar uma topada de dedinho e joelho nos mesmos. Então fizemos um plano de logística. Voltaríamos para o apê antes de escurecer, tomaríamos banho enquanto ainda era possível enxergar dentro do banheiro, nos arrumaríamos e bora pra rua fazer qualquer coisa, quando chegarmos em casa estaríamos tão cansados que iríamos direto pra cama (ou melhor, pros colchões infláveis) dormir. Foi um bom plano, mas logo no primeiro dia de execução já contamos com a fama de Ubatuba: a chuva. Quando terminamos nosso banho e estávamos todos emperequetados e prontos pra jantar em algum lugar, eis que vem ela, imponente e certeira, ordinária e cretina, indecente e gelada: a chuva. E ainda por cima era pontual. Esperava a gente por o pé na rua e desabava, engarrafava o trânsito, perturbava os cabelos do mulherio, encharcava roupas, tênis e entristecia nossas noites.

Sem mais delongas, fiquei uma semana sem televisão, sem luz, sem espelho, sem água quente, sem ventilador, sem mesa, cadeira e conforto. Aprendi a conviver como nossos ancestrais, estava apta pra começar a caçar se ficasse mais uns três dias ali. Eu não fazia idéia como estava meu cabelo e minha aparência e nem a combinação das roupas. Aprendemos a respeitar os mosquitos e fizemos um pedido à eles: “observem nossa situação, a gente deixa vocês ficarem por aqui a noite, mas picar é sacanagem demais”.

No fim, observamos os fogos embaixo de chuva, com os pés afundados em poças de água, tomando champagne quente em copos de plásticos descartáveis e com a ilustre companhia do cumpadi Washington à nossa esquerda ( que benção ser parecido com o cumpadi, não é mesmo? ). E pra completar, no ultimo dia de estadia, a casas Bahia entrega o sofá que o proprietário do apê tinha comprado. Pronto, agora tínhamos um sofá, ficamos umas boas horas naquela cena deprimente: todo mundo amontoado no sofá conversando sobre como ele era confortável.

- Nossa, mas muito bom esse sofá né.

- Mas, é só um sofá!

- Ah, mas não é qualquer sofá. Senta bem nele, vai ver como é confortável.


É isso que dá, dormir no chão por alguns dias....

5 comentários:

Karou disse...

Roteiro perfeito para um:
" Eu sei o q vcs fizeram no verão passado 2", não? rsrs
Ficou muito bom Anê

Leo Soldati disse...

hsaiuhsuiahsiau.. mto bom annê, q Show de virada, hein!! rsrsrsrss

gustavo wolff disse...

hahahaah isso ae!

Paul. disse...

Ola, muito bonito seu blog...
Estou te seguindo, seria possivel vc me seguir?
Bjoss.
http://pauleasaboboras.blogspot.com/

moisés poeta disse...

bacana o seu blog !
voltarei sempre por aqui !

ate mais !