segunda-feira, 15 de junho de 2009

Quando uma bicicleta não dá para três moços.


Quando você é um pré-adolescente e seus pais viajam, não tem jeito, algo que eles não aprovem você irá fazer. Faz parte da nossa natureza isso. Quando meus pais viajavam eu realmente aproveitava, mas não fazia nada tão absurdo. Comecei a me sentir atraído por um copo de cerveja quando tinha uns 19 anos, ou seja, eu não fazia orgias alcoolizado quando ficava sozinho em casa. Chamava alguns amigos, jogavamos video-game, dormíamos bem tarde, víamos filmes pornográficos, ah coisa de nerd mesmo. Bom, meus pais viajaram para nossa futura cidade, resolver lance de moradia e tal, coisa importante mesmo, e eu fiquei sozinho no apartamento. Chamei 2 amigos para almoçarem em casa e já aproveitar a tarde de vagabundagens. Eis que surge uma idéia gay:
- vamos fazer um bolo?
- não sei fazer bolo.
- a graça é essa...
- tá vamo.

Desci até o bicicletário do prédio para buscar minha bicicleta e ir, até que surge uma brilhante idéia vindo de um companheiro:
- cara, bota fé de eu pegar uma bicicleta aqui?
Bom, como a anta aqui achava que ninguém usava as bicicletas mesmo, incentivei:
- ah rola sim, pega ae.

Um escolheu a primeira que viu, meio velha. Ah mas o outro foi específico, escolheu uma monstruosa, a rainha das bicicletas. Ela era tão legal que pesava 5 gramas. Bom saímos, compramos os ingredientes e cada um pegou um picolé. Paramos para comer o picolé e conversar um pouco numa das passagens subterrâneas que cortam a avenida principal de Brasília. Seguinte, não se toma picolés em uma passagem subterrânea. Você tomaria? Eu tomei. Resultado: 3 pivetes apareceram pra trocar uma idéia, roubaram o disc man de um e escolheram a bicicleta mais legal das três pra levarem pra casa. Desespero.

Aí veio a parte "puta que pariu". O porteiro surge desesperado, perguntando o por que de eu ter feito aquilo, dizendo que ia perder o emprego, que tava perto do natal. Ah mas eu me senti o cocô do cavalo do bandido. Meu amigo que escolheu a tal bicicleta de jesus cristo, tentou correr atras mas já era tarde.

Vou fazer aqui então uma listinha resumida do que iria acontecer:
a) o porteiro ia perder o emprego e não ia dar presente pra familia no natal
b) meus pais iriam saber que o filho roubou uma bicicleta pra comprar ingredientes de um bolo
c) minha empregada iria ser responsabilizada de algum jeito, nao pelos meus pais, mas pelo porteiro
d) CAGANEIRA.

Bom, subindo o elevador, eu me sentia envelhecendo a cada andar. Eram 5, envelheci 5 anos. Meus pais souberam da melhor forma possível. Pela empregada, assustada por ouvir do porteiro que iria chamar a polícia pra me prender. Minha empregada, coitada, mal falava bom dia, tem vergonha até de olhar para alguém, contando isso pro meu pai. Acho que ela chorou.

Aí veio aquela comida de rabo saudável, onde ouvi várias perguntas do meu pai que terminavam com "... hein seu filho da puta?". Minha mãe teve que voltar mais cedo e largar os compromissos pra cuidar do idiota que roubou uma bicicleta. Logo depois, a mãe do cidadão que escolheu a bicicleta mais legal do planeta terra, me liga tirando satisfação:

- como que vc deixa o meu filho fazer uma coisa dessas?
- ué mas eu não sou a mãe dele!
- mas você é mais velho que ele!
- um ano só! e ele é mais alto que eu uai!

Ah estava sem moral. Mesmo. Então surge mais uma surpresinha gostosa pra situação. O dono da tal bicicleta:
a) estava viajando
b) era dono de uma bicicleta de 2 mil reais
c) estava contando com ela pra competir no nordeste em 10 dias.

Bacana né? Nossa, aí acabou meu mundo. Enfim, foi chegado o dia da deliciosa reunião dos 3 delinquentes, suas respectivas mães, o porteiro que me ama e a síndica, pois o dono da bicicleta não fazia nem idéia do que tinha acontecido. Resolvi assumir que a culpa era minha mesmo, tava na merda de qualquer jeito, ia embora de lá também em poucas semanas e foi meu presente de despedida. Mas dividimos em 2 familias o prejuízo, pelo menos.

Sorte que meu tio trabalhava na época no ponto frio, conseguiu arranjar a bicicleta da nasa e enviá-la a tempo. Nunca conheci o dono da bicicleta e não faço questão de conhecê-lo. E é isso, não tenho nenhum desfecho bacana pra colocar no final dessa história. Ah peraí, tenho sim... não, não tenho. Boa noite.

3 comentários:

' K. disse...

Cara.. realmente nao tenho nem o que fala pra voce O_O! Que foda :x

anê disse...

um ano só! e ele é mais alto que eu uai!


HAHAHAHAHAHA eu ri :D
adoro essa história!

Anônimo disse...

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